Ela fora sua companhia. E agora havia essa voz que ecoava longe. Ele gostava de isolar a voz em suas lembranças, pois era como se conseguisse ouvi-la ainda. Se se concentrasse na voz, junto com as palavras que só poderiam ser dela, viam também seus cabelos, a cor, e com eles os incontáveis fios, daí para o rosto era fácil, e para a cor da pele bastava fechar os olhos.
Gostava da cor da pele, era parecida com a dele, mas diferente, era como se a dele aspirasse a dela, e a dela fosse a ideal.
“Diga uma coisa que gosta em mim” - palavras dela que lhe traziam junto a manhã, o sol na janela, a cama, a cabeceira e seu olhar preocupado, estava preocupada, ele sentia e pressentia.
“Diga uma coisa que gosta em mim” - palavras dela que lhe traziam junto a manhã, o sol na janela, a cama, a cabeceira e seu olhar preocupado, estava preocupada, ele sentia e pressentia.
“O beijo de uma vesga” - Disse ele, ela riu largamente. Tratava-se da lembrança do primeiro beijo que deram.
Ela havia sido a companhia da festa que não queria ir. Ele a encontrou no canto que escolheu para passar desapercebido. Ficou surpreso de alguém já te-lo escolhido e só de olha-la sabia que pelos mesmos motivos. Era uma festa que ela também não queria ir. E quando se olharam compreenderam-se, não precisariam dizer mais nada para saírem dali juntos. Porém ele disse, adiantou-se, falou-lhe ao ouvido, chamou-a para fora, para a o silêncio, para o ar fresco.
“Mas eu queria dançar”, Mais algumas palavras dela, e lhe traziam agora seu corpo num vestido preto.
Respondeu que não sabia dançar. “Não quero dançar essa música...”, disse ela. E lhe segurou a mão. Deram ambas as mãos. Ela abraçou-lhe o pescoço e lhe conduzia com o corpo. Dançaram uma música que ela inventava, gostou da pele dela e aprendeu a sua dança.
Quero te beijar, disse ele quando a música se encaminhava para o fim. Ela sorriu, e lhe falou ao ouvido. “E se eu for vesga?”. Ele colocou o rosto dela diante de si, não era. Ela riu. “Viu, nem me conhece!”. Mas depois chegou com carinho em seu ouvido: “É brincadeira”. E com essas últimas palavras trazida por sua lembrança, conseguiu novamente beijá-la.
para Letícia
Já disse o quanto a história é linda e como amei a dedicatória, mas queria deixar uma "marca" simbólica aqui na página! *-*
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